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Corte colombiana descriminaliza aborto até 24ª semana de gestação

Data: 21/02/2022

Veículo: BBC News Brasil

Aprovação do aborto na Colômbia

Mulheres se manifestaram defendendo o aborto em frente ao Palácio da Justiça da Colômbia​

Fonte: BBC News Brasil

A Colômbia descriminalizou nesta segunda-feira (21/2) o aborto feito até as 24 semanas de gestação, uma decisão que vinha sendo adiada há meses devido a vários obstáculos.

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O Tribunal Constitucional do país aprovou a mudança por cinco votos a quatro, em resposta a uma ação apresentada em 2020 pelo movimento Causa Justa, uma coalização de 90 organizações.

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Antes, o aborto era punível com até quatro anos e meio de prisão no país, embora desde 2006 a interrupção voluntária da gravidez fosse permitida por três causas: estupro, malformação do feto ou risco à saúde da mãe, sem limite de tempo. As regras pra esses três casos não mudarão com a decisão desta segunda-feira.

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O tribunal ordenou que o Congresso e o poder executivo elaborem e implementem no "tempo mais curto possível" uma "política pública abrangente" regulamentando o aborto realizado até as 24 semanas de gestação.

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Correspondente da BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) na Colômbia, Daniel Pardo explica que a vitória do movimento Causa Justa é resultado de uma estratégia de questionar na Justiça a criminalização do aborto, em vez de estimular a criação de um conjunto de leis que teria que passar pelo Congresso.

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"Isso permitiu, em primeiro lugar, que a discussão se concentrasse na proteção dos direitos das mulheres, que muitas vezes são processadas ou sofrem complicações médicas em clínicas clandestinas", escreveu Pardo.

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"Em segundo lugar, isso também trouxe como benefício o fato de que o debate ocorreu na sociedade civil, onde a maioria aprova o aborto livre segundo pesquisas, e não no Congresso, onde a influência de setores conservadores é profunda e tradicional."

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O jornalista acrescenta que a corte colombiana tem uma "longa história de proteção aos direitos sociais e democráticos".

"(O Tribunal Constitucional) impediu a reeleição ilimitada, aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo e estabeleceu diretrizes específicas para garantir os direitos das mulheres à saúde, educação e política em um país onde não havia lei de cotas até poucos anos atrás", explica Pardo.

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Fonte:  Adaptado de BBC News Brasil. Disponível em:https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60473376. Acesso em 25 de fevereiro de 2022.

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